Como e porque me tornei espírita
Me perguntava o porque de estar aqui, numa terra tão enorme e com tanta gente e todos, diferentes entre si.
Olhava as estrelas e me acabrunhava com aquela imensidão toda e só nós, aqui nesse quintalzinho chamado terra, habitávamos aquele espaço infinito!?
Para mim, o que eu escutava nas igrejas era muito pouco; Um Deus que era só mistério, que fez tudo o que conhecemos em apenas sete dias, que criou o homem e a mulher numa tarde e colocou-os no paraíso que havia criado.
Depois de um erro, o único casal do planeta, Adão e Eva, foi expulso do paraíso e tiveram três filhos: Abel, Caim e Set. Caim mata Abel e envergonhado, foge para constituir família em outras paragens.
Mas com quem Caim haveria de se casar, se só haviam depois da morte de seu irmão, apenas quatro pessoas nesse mundão de meu Deus, sendo que duas eram ele próprio e seu irmão Set e as outras duas, seu pai Adão e sua própria mãe Eva? Teria casado com uma macaca?
A parte moral e os ensinamentos da bíblia, sempre me foram maravilhosos. Mas aquela história da criação, para mim, mais se parecia com os contos de fadas que outrora lia nos livros infantis, do que a verdadeira linha dos fatos, que poderiam justificar a envergadura de tamanho projeto sideral.
O tempo passou, minha história também e entre os atropelos e aflições da vida, eu e minha esposa, graças a Deus, fomos parar em um centro espírita, chamado LAR ESPÍRITA FRATERNIDADE.
Confesso que tínhamos a mesma impressão errada, que muitas pessoas ainda hoje tem, do que é e o que realmente significa o espiritismo.
Minha esposa se engajou primeiro que eu nos trabalhos da casa. Eu a deixava no começo das atividades e só ia buscá-la ao final dos trabalhos.
Invariavelmente sempre chegava um pouco antes do término e a esperava no auditório, onde aconteciam as palestras.
Todos sabemos que esperar, é uma atividade específica à gestantes e minha paciência, as vezes, quando o trabalho se alongava, realmente chegava a se esgotar, pois o ponteiro do relógio não se mexia.
O que fazer para não ver o tempo passar?
Na época, eu nem sabia que podíamos ser intuídos por espíritos benfazejos, anjos que nos protegem e nos guiam, se assim permitirmos. Foi então que meu querido amigo Sebastião, soprou em meus ouvidos: LEIA, LEIA, LEIA.
Levantei-me do auditório, fui até a biblioteca e ao perguntar o que poderia ler sobre o espiritismo, fui apresentado ao Pentateuco do Espiritismo. Os cinco livros que definitivamente mudaram minha forma de enxergar a vida: "O LIVRO DOS ESPÍRITOS", "O LIVRO DOS MÉDIUNS", "O CÉU E O INFERNO", "A GÊNESE" e finalmente "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO".
Naquele auditório, em casa, nas recepções de clientes, na cama, no banheiro, em qualquer lugar, eu lia a codificação inteira, com o afinco de quem escalava uma montanha e ao final, quando dobrei a última página do último livro, me senti com a alma lavada.
Não era mais aquele Reginaldo que olhava as estrelas acabrunhado e tinha certeza de que não estávamos sozinhos e passei a entender porque Jesus havia dito: "A casa de meu Pai tem muitas moradas".
Tudo agora fazia sentido. Entendia a verdadeira grandiosidade da justiça e misericórdia Divinas e os verdadeiros processos da criação, que culminaram na formação de todo universo e também mais particularmente, de nosso querido planeta terra.
Depois disso, logo comecei a trabalhar no centro e lá se vão vinte e três anos sem vendas nos olhos, graças a Deus.



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